João 1.1 §
Nota de John Wesley
No princípio — (referindo-se a Gn 1.1 e Pv 8.23.) Quando todas as coisas começaram a ser feitas pelo Verbo: no princípio do céu e da terra, e de toda esta estrutura de seres criados, o Verbo existia, sem princípio algum. Ele era, quando começou a existir tudo o que teve princípio. O Verbo — assim chamado no Salmo 33.6, frequentemente pela Septuaginta e na paráfrase caldaica; de modo que João não tomou esta expressão de Fílon nem de nenhum escritor pagão. Ele ainda não se chamava Jesus, ou Cristo. É o Verbo que o Pai gerou ou "falou" desde a eternidade; por quem o Pai, falando, faz todas as coisas; que nos "fala" o Pai. Temos, no v. 18, tanto uma descrição real do Verbo quanto a razão de assim ser chamado: ele é o Filho unigênito do Pai, que está no seio do Pai, e o deu a conhecer. E o Verbo estava com Deus — portanto, distinto de Deus Pai. A palavra traduzida por "com" denota como que uma perpétua inclinação do Filho para o Pai, em unidade de essência. Ele estava com Deus somente, porque nada além de Deus tinha então existência alguma. E o Verbo era Deus — supremo, eterno, independente. Não havia criatura em relação à qual ele pudesse ser chamado Deus em sentido relativo; portanto, é assim chamado em sentido absoluto. Estando a divindade do Messias claramente revelada no Antigo Testamento, os outros evangelistas visam a provar que Jesus, verdadeiro homem, era o Messias. Mas quando, por fim, alguns começaram a duvidar da sua divindade, João a afirmou expressamente, e escreveu neste livro como que um suplemento aos Evangelhos, como no Apocalipse aos profetas.