Atos 7.2 §
Nota de John Wesley
E ele disse — Estêvão fora acusado de blasfêmia contra Moisés e até contra Deus, e de falar contra o templo e a lei. Em resposta, recitando como que os artigos do seu credo histórico, ele fala de Deus com alta reverência e grato senso de uma longa série de atos de bondade para com os israelitas; de Moisés com grande respeito, pelos seus importantes e honrosos encargos sob Deus; do templo com consideração, por ter sido edificado para a honra de Deus — mas sem a superstição dos judeus, lembrando-lhes que nenhum templo pode conter a Deus. A soma do seu discurso é esta: reconheço a glória de Deus revelada aos pais, o chamado de Moisés, a dignidade da lei, a santidade deste lugar. E, de fato, a lei é mais antiga que o templo; a promessa, mais antiga que a lei. Pois Deus se mostrou livremente o Deus de Abraão, Isaque e Jacó e dos seus filhos, e eles mostraram fé e obediência a Deus. Entretanto, Deus nunca confinou a sua presença a este único lugar, nem aos observadores da lei: pois foi aceitavelmente adorado antes de dada a lei e de edificado o templo, e fora desta terra. Mas vocês e os seus pais sempre foram maus: resistiram a Moisés, desprezaram a terra, abandonaram a Deus, honraram supersticiosamente o templo, resistiram a Deus e ao seu Espírito, mataram os profetas e o próprio Messias, e não guardaram a lei pela qual contendem. Portanto, Deus não está preso a vocês — muito menos somente a vocês. Este solene testemunho de Estêvão é digníssimo do seu caráter de homem cheio do Espírito Santo, de fé e de poder. Nem podemos duvidar de que, destas premissas, ele teria tirado as conclusões sobre a destruição do templo, a ab-rogação da lei mosaica e o castigo daquele povo rebelde — e sobretudo acerca de Jesus de Nazaré, o verdadeiro Messias — se o seu discurso não fosse interrompido pelo clamor da multidão. O Deus da glória — o Deus glorioso — apareceu a Abraão antes que habitasse em Harã — portanto, Abraão conheceu a Deus muito antes de estar nesta terra (Gn 12.1).