Nos versículos seguintes o nosso Senhor, diante dos seus discípulos recém-escolhidos e da multidão, repete, em pé na planície, muitas passagens notáveis do sermão que antes proferira sentado no monte. Aqui de novo declara felizes os pobres e os famintos, os que choram e os perseguidos, e apresenta como miseráveis os ricos, os fartos, os risonhos e os aplaudidos — porque, em geral, a prosperidade é um doce veneno, e a aflição, um remédio amargo, porém curativo. Que este pensamento nos reconcilie com a adversidade e desperte a nossa cautela quando o mundo nos sorri: quando uma mesa farta se põe diante de nós e o nosso cálice transborda; quando o nosso ânimo está alegre e ouvimos (o que a natureza ama) o nosso próprio louvor da boca dos homens. Felizes vocês, os pobres — a palavra parece tomada aqui literalmente: vocês, que deixaram tudo por mim (Mt 5.3).