Notas de John Wesley sobre a Bíblia Comentários bíblicos em português atual

InícioNovo TestamentoMateus → Capítulo 3

Mateus 3

Referências: 3.13.23.33.43.63.73.83.93.103.113.123.133.153.163.17

Mateus 3.1 §

Nota de John Wesley

Naqueles dias — isto é, enquanto Jesus morava ali. No deserto da Judeia — este era um deserto propriamente dito, lugar agreste, estéril e desolado, como também aquele em que o nosso Senhor foi tentado. Mas, em geral, "deserto" no Novo Testamento significa apenas um terreno comum, menos cultivado, em oposição a pastos e terras de lavoura (Mc 1.1; Lc 3.1).

Mateus 3.2 §

Nota de John Wesley

O reino dos céus e o reino de Deus são duas expressões para a mesma coisa. Significam, não apenas um futuro estado de felicidade no céu, mas um estado a ser desfrutado na terra: a disposição própria para a glória do céu, mais que a sua posse. Está próximo — como se dissesse: Deus está prestes a erigir aquele reino de que fala Daniel (Dn 2.44; 7.13-14), o reino do Deus do céu. A expressão significa aqui, propriamente, a dispensação do evangelho, na qual súditos seriam reunidos a Deus pelo seu Filho, formando-se uma sociedade que devia subsistir primeiro na terra e depois com Deus na glória. Em algumas passagens da Escritura, a frase denota mais particularmente o seu estado na terra; em outras, somente o estado de glória; mas geralmente inclui ambos. Os judeus a entendiam de um reino temporal, cuja sede supunham que seria Jerusalém; e o soberano esperado desse reino aprenderam de Daniel a chamar Filho do homem. Tanto João Batista quanto Cristo tomaram a expressão "reino dos céus" como a encontraram, e gradualmente ensinaram os judeus (bem que muito relutantes em aprender) a entendê-la corretamente. A própria exigência de arrependimento, como condição prévia, mostrava que era um reino espiritual, e que nenhum homem perverso, por mais político, valente ou erudito, poderia ser súdito dele.

Temas: reino de deusarrependimento

Mateus 3.3 §

Nota de John Wesley

O caminho do Senhor — de Cristo. Endireitem as suas veredas — removendo tudo o que pudesse estorvar a sua graciosa manifestação (Is 40.3).

Temas: arrependimento

Mateus 3.4 §

Nota de John Wesley

João usava vestes de pelos de camelo — ásperas e rudes, condizentes com o seu caráter e a sua doutrina. Um cinto de couro — como Elias, em cujo espírito e poder ele veio. O seu alimento eram gafanhotos e mel silvestre — os gafanhotos contam-se entre os alimentos puros (Lv 11.22); mas nem sempre se achavam, e, na falta deles, alimentava-se de mel silvestre.

Mateus 3.6 §

Nota de John Wesley

Confessando os seus pecados — espontaneamente, livre e abertamente. Números tão prodigiosos dificilmente poderiam ser batizados pela imersão do corpo inteiro na água; nem podemos pensar que estivessem providos de mudas de roupa para isso, o que mal seria praticável para multidões tão vastas. Parece, portanto, que ficavam em fileiras à margem do rio, e que João, passando diante deles, lhes aspergia água sobre a cabeça ou o rosto, podendo desse modo batizar muitos milhares num dia. E esse modo significava muito naturalmente o batismo com o Espírito Santo e com fogo, com que Cristo os batizaria, do qual João falou como prefigurado pelo seu batismo com água — e que se cumpriu eminentemente quando o Espírito Santo pousou sobre os discípulos em aparência de línguas, ou chamas, de fogo.

Nota do editor

Wesley discute aqui o modo do batismo segundo o entendimento anglicano do seu tempo; a descrição da aspersão às margens do Jordão é inferência dele, não afirmação do texto bíblico.

Temas: batismoarrependimento

Mateus 3.7 §

Nota de John Wesley

Os fariseus eram uma seita muito antiga entre os judeus. Tomaram o nome de uma palavra hebraica que significa separar, porque se separavam de todos os demais homens. Eram, exteriormente, estritos observadores da lei: jejuavam com frequência, faziam longas orações, guardavam rigorosamente o sábado e pagavam o dízimo de tudo, até da hortelã, do endro e do cominho. Por isso gozavam de alta estima junto ao povo. Mas, interiormente, estavam cheios de orgulho e hipocrisia. Os saduceus eram outra seita entre os judeus, apenas não tão considerável quanto os fariseus. Negavam a existência dos anjos e a imortalidade da alma e, por consequência, a ressurreição dos mortos. Raça de víboras — de modo semelhante, o astuto Herodes é chamado raposa; e pessoas de disposição insidiosa, voraz, profana ou sensual são chamadas, por aquele que via os seus corações, respectivamente de serpentes, cães, lobos e porcos — termos que não são linguagem casual de paixão, mas designação judiciosa das pessoas visadas; pois convinha que tais homens fossem assinalados, seja para advertência de outros, seja para aviso de si mesmos.

Mateus 3.8 §

Nota de John Wesley

O arrependimento é de duas espécies: o que se chama legal e o que se chama evangélico. O primeiro (que é o mesmo de que aqui se fala) é uma convicção profunda do pecado; o segundo é uma mudança de coração (e, por consequência, de vida), de todo pecado para toda santidade.

Temas: arrependimentosantificacao

Mateus 3.9 §

Nota de John Wesley

E não digam confiantemente — a palavra no original, comumente traduzida "não pensem", parece aqui, como em muitos lugares, não diminuir, mas antes acrescentar força à palavra a que se une. Temos Abraão por pai — é quase incrível quão grande era a presunção dos judeus por esse seu parentesco com Abraão. Um dos seus ditos famosos era: "Abraão está sentado junto às portas do inferno, e não deixa que israelita algum desça a ele." Eu lhes digo — este prefácio sempre denota a importância do que segue. Destas pedras — provavelmente apontando para as que jaziam diante deles.

Temas: fe

Mateus 3.10 §

Nota de John Wesley

E também o machado já está posto — isto é, não há lugar para tais pretextos vãos: execução rápida está determinada contra todos os que não se arrependerem. A comparação parece tomada do lenhador que largou o machado para tirar o casaco, e em seguida vai logo ao trabalho de derrubar a árvore. Refere-se à ira vindoura do versículo 7. É cortada — no mesmo instante, sem mais demora.

Temas: juizoarrependimento

Mateus 3.11 §

Nota de John Wesley

Ele os batizará com o Espírito Santo e com fogo — ele os encherá do Espírito Santo, inflamando os seus corações com aquele fogo de amor que muitas águas não podem apagar. E isto se fez, até com aparência visível como de fogo, no dia de Pentecostes.

Temas: espirito santoamor perfeito

Mateus 3.12 §

Nota de John Wesley

A sua pá — isto é, a palavra do evangelho. A sua eira — isto é, a sua Igreja, agora coberta de uma mistura de trigo e palha. Recolherá o seu trigo no celeiro — guardará no céu os que são verdadeiramente bons.

Temas: igrejajuizo

Mateus 3.13 §

Nota de John Wesley

Ver Marcos 1.9; Lucas 3.21.

Mateus 3.15 §

Nota de John Wesley

Convém que cumpramos toda a justiça — convém a todo mensageiro de Deus observar todas as suas justas ordenanças. Mas o sentido particular do nosso Senhor parece ser: convém que façamos isto (eu, recebendo o batismo; você, administrando-o) a fim de cumprir — isto é, para que eu desempenhe plenamente cada parte da justa lei de Deus e da comissão que ele me deu.

Temas: obediencia

Mateus 3.16 §

Nota de John Wesley

E Jesus, tendo sido batizado — que a submissão do nosso Senhor ao batismo nos ensine uma santa exatidão na observância daquelas instituições que devem a sua obrigação puramente a um mandamento divino. Certamente assim convém a todos os seus seguidores cumprir toda a justiça. Jesus não tinha pecado a lavar — e, contudo, foi batizado. E Deus honrou a sua ordenança, fazendo dela a ocasião de derramar sobre ele o Espírito Santo. E onde podemos esperar essa sagrada efusão, senão na humilde observância das instituições divinas? Eis que os céus se abriram, e ele viu o Espírito de Deus — Lucas acrescenta: em forma corpórea — provavelmente numa aparência gloriosa de fogo, talvez na forma de uma pomba, descendo com movimento pairante até repousar sobre ele. Foi este um sinal visível das secretas operações do Espírito bendito, pelas quais ele foi ungido de maneira peculiar e abundantemente preparado para a sua obra pública.

Temas: batismoespirito santoobediencia

Mateus 3.17 §

Nota de John Wesley

E eis uma voz — temos aqui uma gloriosa manifestação da sempre bendita Trindade: o Pai falando do céu; o Filho, a quem se fala; o Espírito Santo, descendo sobre ele. Em quem me agrado — que elogio é este! Quão pobres, diante dele, todos os outros louvores! Ser o prazer, o deleite de Deus — isto é louvor de verdade, isto é a verdadeira glória, esta é a mais alta e mais brilhante luz em que a virtude pode aparecer.

Temas: trindadecristo

Ler o texto bíblico completo ↗