Notas de John Wesley sobre a Bíblia Comentários bíblicos em português atual

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Mateus 6

Referências: 6.16.26.36.56.66.76.86.96.106.116.126.136.146.166.176.196.216.226.246.256.276.296.306.316.336.34

Mateus 6.1 §

Nota de John Wesley

No capítulo anterior, o nosso Senhor descreveu em particular a natureza da santidade interior. Neste, ele descreve aquela pureza de intenção sem a qual nenhuma das nossas ações exteriores é santa. Este capítulo contém quatro partes: 1) a reta intenção e maneira de dar esmolas (vs. 1-4); 2) a reta intenção, maneira, forma e condições prévias da oração (vs. 5-15); 3) a reta intenção e maneira de jejuar (vs. 16-18); 4) a necessidade de uma intenção pura em todas as coisas, sem mistura com o desejo de riquezas, com os cuidados do mundo ou com o medo da necessidade (vs. 19-34). Este versículo é uma advertência geral contra a vanglória em qualquer das nossas boas obras, todas aqui resumidas na palavra abrangente "justiça". Essa advertência geral o nosso Senhor aplica, na sequência, aos seus três ramos principais: o que se refere ao próximo (vs. 2-4), a Deus (vs. 5-6) e a nós mesmos (vs. 16-18). Para serem vistos — o simples fato de sermos vistos enquanto fazemos qualquer dessas coisas é circunstância puramente indiferente. Mas fazê-las com esse propósito, para sermos vistos e admirados — isto é o que o nosso Senhor condena.

Temas: pureza de coracaohipocrisia

Mateus 6.2 §

Nota de John Wesley

Como fazem os hipócritas — muitos dos escribas e fariseus faziam isso, sob o pretexto de convocar os pobres. Já receberam a sua recompensa — toda a que hão de ter, pois nenhuma receberão de Deus.

Temas: hipocrisiagenerosidade

Mateus 6.3 §

Nota de John Wesley

Não saiba a sua mão esquerda o que faz a sua direita — expressão proverbial para fazer algo em segredo. Faça-o tão secretamente quanto for compatível: 1) com fazê-lo de fato; 2) com fazê-lo da maneira mais eficaz.

Temas: generosidade

Mateus 6.5 §

Nota de John Wesley

As sinagogas — eram propriamente os lugares onde o povo se reunia para a oração pública e para ouvir a leitura e a exposição das Escrituras. Havia sinagogas em cada cidade desde o tempo do cativeiro babilônico, com culto três vezes ao dia, em três dias da semana. Em cada sinagoga havia um conselho de pessoas graves e sábias, presidido pelo chamado chefe da sinagoga. Mas a palavra aqui, como em muitos outros textos, significa qualquer lugar de concurso público.

Temas: oracao

Mateus 6.6 §

Nota de John Wesley

Entre no seu quarto — isto é, ore com toda a discrição que puder.

Temas: oracao

Mateus 6.7 §

Nota de John Wesley

Não usem de vãs repetições — repetir quaisquer palavras sem senti-las de fato é certamente vã repetição. Portanto, devemos ter extremo cuidado, em todas as nossas orações, de sentir o que dizemos, e de dizer somente o que sentimos do fundo do coração. As repetições vãs e pagãs contra as quais somos aqui advertidos são muito perigosas, e contudo muito comuns — e esta é uma das principais causas de tantos que ainda professam a religião serem uma desonra para ela. Na verdade, todas as palavras do mundo não equivalem a um só desejo santo. E as melhores orações não passam de vãs repetições, se não são a linguagem do coração.

Temas: oracao

Mateus 6.8 §

Nota de John Wesley

O Pai de vocês sabe do que vocês têm necessidade — não oramos para informar a Deus das nossas carências. Onisciente como é, nada lhe pode ser informado que já não soubesse; e ele está sempre disposto a supri-las. O que principalmente falta é, da nossa parte, uma disposição adequada para receber a sua graça e bênção. Por conseguinte, um dos grandes ofícios da oração é produzir em nós tal disposição: exercitar a nossa dependência de Deus, aumentar o nosso desejo das coisas que pedimos, tornar-nos tão conscientes das nossas necessidades que não deixemos de lutar até prevalecer e alcançar a bênção.

Temas: oracaodependencia de deus

Mateus 6.9 §

Nota de John Wesley

Portanto, orem assim — aquele que melhor sabia o que devemos pedir e como devemos orar, que matéria de desejo e que maneira de aproximação mais lhe agradariam e melhor nos conviriam, ditou-nos aqui uma forma de oração perfeita e universal, que compreende todas as nossas necessidades reais e expressa todos os nossos desejos legítimos: um diretório completo e pleno exercício de todas as nossas devoções. Assim — com este conteúdo; às vezes com estas palavras, ao menos desta maneira: breve, densa, completa. Esta oração consta de três partes: o prefácio, as petições e a conclusão. O prefácio — Pai nosso, que estás nos céus — lança um fundamento geral para a oração, compreendendo o que devemos primeiro saber de Deus antes de podermos orar confiados em ser ouvidos. Aponta-nos também a fé, a humildade e o amor a Deus e aos homens com que devemos aproximar-nos de Deus em oração. Pai nosso — que és bom e gracioso para com todos, nosso Criador, nosso Preservador; Pai do nosso Senhor e, nele, nosso, teus filhos por adoção e graça: não somente meu Pai, que agora clamo a ti, mas Pai do universo, dos anjos e dos homens. Que estás nos céus — contemplando todas as coisas, no céu e na terra; conhecendo cada criatura, todas as obras de cada criatura e todo evento possível, de eternidade a eternidade: o Senhor todo-poderoso e governador de tudo, que superintende e dispõe todas as coisas. Nos céus — eminentemente ali, mas não somente ali, visto que preenches o céu e a terra. Santificado seja o teu nome — que tu, ó Pai, sejas verdadeiramente conhecido por todos os seres inteligentes, e com afeições correspondentes a esse conhecimento; que sejas devidamente honrado, amado e temido por todos no céu e na terra, por todos os anjos e todos os homens (Lc 11.2).

Temas: oracaopai nosso

Mateus 6.10 §

Nota de John Wesley

Venha o teu reino — que o teu reino de graça venha depressa e absorva todos os reinos da terra; que toda a humanidade, recebendo-te, ó Cristo, por seu rei, e crendo verdadeiramente no teu nome, seja cheia de justiça, paz e alegria, de santidade e felicidade, até ser transportada daqui para o teu reino de glória, para reinar contigo para todo o sempre. Seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu — que todos os habitantes da terra façam a tua vontade tão de bom grado quanto os santos anjos; que a façam continuamente, como eles, sem nenhuma interrupção do seu serviço voluntário; e perfeitamente como eles: que tu, ó Espírito da graça, pelo sangue da aliança eterna, os tornes perfeitos em toda boa obra para fazer a tua vontade, operando neles tudo o que é agradável à tua vista.

Temas: oracaopai nossoreino de deus

Mateus 6.11 §

Nota de John Wesley

O pão nosso de cada dia nos dá hoje — dá-nos, ó Pai (pois nada reclamamos por direito, mas somente pela tua livre misericórdia), hoje (pois não nos preocupamos com o dia de amanhã), o nosso pão de cada dia — tudo o que é necessário para a nossa alma e para o nosso corpo: não somente o alimento que perece, mas o pão sacramental e a tua graça, o alimento que permanece para a vida eterna.

Temas: oracaopai nossoprovidencia

Mateus 6.12 §

Nota de John Wesley

E perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores — dá-nos, ó Senhor, a redenção no teu sangue, a saber, o perdão dos pecados; e, assim como nos capacitas a perdoar livre e plenamente a todo homem, perdoa tu todas as nossas transgressões.

Temas: oracaopai nossoperdao

Mateus 6.13 §

Nota de John Wesley

E não nos deixes cair em tentação, mas livra-nos do mal — sempre que formos tentados, ó tu que socorres as nossas fraquezas, não permitas que entremos na tentação, que sejamos vencidos por ela ou soframos dano; antes, abre-nos um caminho de escape, para que sejamos mais que vencedores, pelo teu amor, sobre o pecado e todas as suas consequências. Ora, sendo o principal desejo do coração do cristão a glória de Deus (vs. 9-10), e tudo o que ele quer para si e para os seus irmãos o pão cotidiano da alma e do corpo, o perdão dos pecados e o livramento do poder do pecado e do diabo (vs. 11-13), nada mais há que um cristão possa desejar: portanto, esta oração compreende todos os seus desejos. A vida eterna é a consequência certa — ou, antes, a consumação — da santidade. Pois teu é o reino — o direito soberano sobre todas as coisas que existem ou jamais foram criadas; e o poder — o poder executivo pelo qual governas todas as coisas no teu reino eterno; e a glória — o louvor devido por toda criatura, pelo teu poder, por todas as tuas obras maravilhosas e pela grandeza do teu reino, que subsiste por todas as eras, para todo o sempre. É digno de nota que a doxologia, assim como as petições desta oração, é tríplice, dirigida distintamente ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo; e, contudo, o todo é plenamente aplicável tanto a cada pessoa quanto à bendita e indivisa Trindade.

Informação textual

A doxologia ("pois teu é o reino, o poder e a glória para sempre") não consta dos manuscritos mais antigos; a NAA a registra entre colchetes. Wesley a comenta conforme o texto corrente em seu tempo.

Temas: oracaopai nossotrindade

Mateus 6.14 §

Nota de John Wesley

Ver Marcos 11.25.

Temas: perdao

Mateus 6.16 §

Nota de John Wesley

Quando jejuarem — o nosso Senhor não institui aqui nem o jejum, nem a esmola, nem a oração: todos esses deveres já estavam plenamente estabelecidos na igreja de Deus. Desfiguram o rosto — com o pó e a cinza que punham sobre a cabeça, como era costume nos tempos de humilhação solene.

Temas: jejum

Mateus 6.17 §

Nota de John Wesley

Unja a cabeça — como os judeus faziam com frequência. Apresente-se como de costume.

Temas: jejum

Mateus 6.19 §

Nota de John Wesley

Não acumulem para vocês — o nosso Senhor faz aqui a transição das ações religiosas para as comuns, e nos adverte de outro laço: o amor ao dinheiro, tão incompatível com a pureza de intenção quanto o amor ao louvor. Onde a traça e a ferrugem corroem — onde todas as coisas são perecíveis e transitórias. Ele pode ter ainda outro alvo nestas palavras: guardar-nos de fazer de qualquer coisa na terra o nosso tesouro. Pois uma coisa propriamente se torna nosso tesouro quando nela pomos as nossas afeições (Lc 12.33).

Temas: riquezasmordomia

Mateus 6.21 §

Nota de John Wesley

Ver Lucas 11.34.

Mateus 6.22 §

Nota de John Wesley

O olho é a lâmpada do corpo — e o que o olho é para o corpo, a intenção é para a alma. Podemos observar com que exata propriedade o nosso Senhor coloca a pureza de intenção entre os desejos mundanos e os cuidados mundanos, pois tanto uns quanto outros tendem diretamente a destruí-la. Se o seu olho for bom (singelo) — fixo unicamente em Deus e no céu, toda a sua alma se encherá de santidade e felicidade. Se o seu olho for mau — não singelo, visando a qualquer outra coisa.

Temas: pureza de coracao

Mateus 6.24 §

Nota de John Wesley

Mamom — riquezas, dinheiro; qualquer coisa amada ou buscada sem referência a Deus (Lc 16.13).

Temas: riquezas

Mateus 6.25 §

Nota de John Wesley

E, se vocês servem a Deus, não precisam andar ansiosos por coisa alguma. Portanto, não andem ansiosos — isto é, não se entreguem ao cuidado aflito. Guardem-se dos cuidados mundanos, pois são tão incompatíveis com o verdadeiro serviço de Deus quanto os desejos mundanos. Não é a vida mais do que o alimento? — E, se Deus dá o dom maior, negará o menor? (Lc 12.22).

Temas: ansiedadeprovidencia

Mateus 6.27 §

Nota de John Wesley

E qual de vocês — por mais cuidadoso que seja, pode sequer acrescentar um momento à própria vida? Este parece ser, de longe, o sentido mais fácil e natural das palavras.

Temas: ansiedade

Mateus 6.29 §

Nota de John Wesley

Nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como qualquer deles — não com vestes de um branco tão puro. Os monarcas orientais frequentemente se vestiam de vestes brancas.

Temas: providencia

Mateus 6.30 §

Nota de John Wesley

A erva do campo — é expressão geral, que inclui tanto as ervas quanto as flores. Lançada no forno — pois dificilmente se pode supor que a erva ou as flores fossem lançadas no forno no dia seguinte ao em que foram cortadas. Se Deus veste assim — a palavra implica propriamente o revestir com uma vestimenta completa, que envolve o corpo por todos os lados; e exprime belamente aquela membrana exterior que (como a pele no corpo humano) ao mesmo tempo adorna o tecido delicado do vegetal e o protege das inclemências do tempo. Cada microscópio em que se examina uma flor oferece um vívido comentário deste texto.

Temas: providencia

Mateus 6.31 §

Nota de John Wesley

Portanto, não andem ansiosos — quão bondosos são estes preceitos! Sua substância é apenas esta: não faça mal a si mesmo! Não sejamos tão ingratos para com ele, nem tão nocivos a nós mesmos, a ponto de afligir e oprimir a mente com aquele fardo de ansiedade que ele tão graciosamente removeu. Cada versículo fala ao mesmo tempo ao entendimento e ao coração. Não alimentaremos, pois, esses cuidados desnecessários, inúteis e daninhos. Não tomaremos emprestadas as ansiedades e angústias do amanhã para agravar as do dia presente. Antes, repousaremos alegremente naquele Pai celestial que sabe que necessitamos de todas essas coisas; que nos deu a vida, que é mais que o alimento, e o corpo, que é mais que as vestes. E, assim instruídos na filosofia do nosso Mestre celestial, aprenderemos uma lição de fé e bom ânimo de cada ave do céu e de cada flor do campo.

Temas: ansiedadefeprovidencia

Mateus 6.33 §

Nota de John Wesley

Busquem o reino de Deus e a sua justiça — visem unicamente a isto: que Deus, reinando no coração de vocês, o encha da justiça acima descrita. E, de fato, quem busca isto em primeiro lugar logo chegará a buscar somente isto.

Temas: reino de deusprioridades

Mateus 6.34 §

Nota de John Wesley

O amanhã cuidará de si mesmo — isto é, cuide do amanhã quando ele chegar. Basta ao dia o seu próprio mal — falando à maneira dos homens. Mas toda tribulação é, no cômputo geral, um bem real: é o bom remédio que Deus ministra diariamente aos seus filhos, segundo a necessidade e as forças de cada um.

Temas: ansiedadeprovidencia

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